Como Calcular o Share of Wallet na Revenda B2B: Quanto do Orçamento do Seu Cliente Vai para o Concorrente

calcular o share of wallet

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Calcular o share of wallet de cada cliente mostra a parte do orçamento dele que fica com a sua empresa. O resto vai para o concorrente. Todo mês. E quase nenhuma revenda sabe dizer quanto.

O dono de distribuidora conhece o faturamento de cada cliente. Sabe quem são os dez maiores. Sabe quem paga em dia. O que ele raramente sabe é quanto esse mesmo cliente gasta na categoria inteira, somando todos os fornecedores. Sem esse número, um cliente que compra R$ 10 mil por mês parece ótimo. Até alguém descobrir que ele gasta R$ 40 mil.

Em mais de 30 anos trabalhando com vendas B2B, e depois de mentorias em mais de 500 empresas, aprendi que a maior oportunidade de crescimento de uma revenda costuma estar dentro dos clientes que ela já atende. Não no cliente novo. No pedaço do cliente atual que hoje vai para outra empresa.

Este artigo ensina a calcular o share of wallet na prática e funciona como um glossário aplicado. Cada seção define um termo que o gestor comercial precisa dominar, e logo em seguida mostra como usar esse conceito na rotina de uma revenda, distribuidora ou indústria.

Antes de Calcular o Share of Wallet: o Que Ele Significa na Revenda B2B

A Harvard Business Review define o conceito como o percentual do gasto de um cliente em uma categoria que é capturado por uma marca, loja ou empresa. Em português, participação na carteira do cliente. O blog já tem um artigo introdutório sobre share of wallet, e aqui o foco é o cálculo. A conta compara o que ele compra de você com o que ele compra no total, de todos os fornecedores, nas linhas que você também vende.

O conceito parece simples. A aplicação muda a forma de enxergar a carteira. Market share mede quanto do mercado inteiro é seu. Share of wallet mede quanto de cada cliente é seu. O primeiro interessa ao fabricante e ao analista de mercado. O segundo interessa ao vendedor e ao gestor comercial, porque é cliente por cliente que a meta é batida.

Na revenda B2B, esse indicador pesa ainda mais. O cliente industrial raramente concentra tudo em um fornecedor. Ele compra rolamento de um, abrasivo de outro e EPI de um terceiro. Às vezes divide o mesmo item entre dois fornecedores só para ter comparação de preço. Cada uma dessas divisões é faturamento que poderia ser seu.

Potencial de Compra: a Base para Calcular o Share of Wallet

Esse é o número difícil, e sem ele não dá para calcular o share of wallet. O que o cliente compra de você está no ERP. O que ele compra dos outros, ninguém entrega de bandeja. Existem três formas práticas de chegar a uma estimativa confiável do potencial de compra.

A primeira é perguntar. Parece óbvio, e quase ninguém faz. Um comprador com quem existe relação de confiança costuma responder quanto consome por mês de abrasivo ou de EPI. Às vezes responde com exatidão, às vezes com uma faixa. Uma faixa já serve.

A segunda é usar indicadores do porte do cliente. Número de funcionários na produção. Quantidade de máquinas. Tamanho da frota, área plantada ou número de leitos. Uma metalúrgica com 120 funcionários na linha consome uma quantidade previsível de EPI, disco de corte e lubrificante. O vendedor experiente sabe fazer essa conta de cabeça.

A terceira é comparar com clientes parecidos. Se três metalúrgicas do mesmo porte compram de você entre R$ 25 mil e R$ 30 mil por mês, e uma quarta compra R$ 8 mil, a diferença provavelmente está indo para outro fornecedor.

Nenhuma dessas estimativas é exata. Também não precisa ser. O objetivo é ter uma ordem de grandeza para decidir onde investir o tempo da equipe.

Como Calcular o Share of Wallet Cliente por Cliente

Share of wallet: faturamento da sua empresa com o cliente ÷ potencial de compra do cliente nas suas linhas × 100.

Um exemplo com números redondos. Uma distribuidora de MRO vende ferramentas, abrasivos, lubrificantes e EPI. Ela atende uma metalúrgica com 120 funcionários na produção. A metalúrgica compra dela, em média, R$ 8 mil por mês.

Pelas três formas de estimativa, o potencial dessa metalúrgica nas linhas da distribuidora fica perto de R$ 30 mil por mês. A conta é R$ 8 mil dividido por R$ 30 mil. Participação de cerca de 27%.

Ou seja, de cada R$ 100 que essa metalúrgica gasta nas linhas que a distribuidora vende, R$ 73 vão para outros fornecedores. Por mês, são R$ 22 mil. Por ano, mais de R$ 260 mil saindo de um cliente que já está cadastrado, já conhece a empresa e já paga em dia.

Agora o ponto que costuma surpreender o dono. Essa metalúrgica provavelmente aparece como cliente A ou B na curva ABC da distribuidora. Ninguém da equipe olha para ela como oportunidade, porque ela já compra bem. Só que compra bem de outro também.

Fornecedor Principal, Secundário e de Emergência

O fornecedor principal recebe o pedido programado. É o primeiro a ser chamado e fica com a maior parte do volume. O secundário recebe parte do volume, geralmente para o cliente manter comparação de preço. O fornecedor de emergência só é lembrado quando falta produto no principal.

Na prática, o share of wallet da sua empresa em cada cliente denuncia qual desses papéis você ocupa. Acima de 60% ou 70%, você costuma ser o principal. Entre 30% e 60%, divide espaço. Abaixo de 20% ou 30%, muitas vezes você é apenas o fornecedor de emergência, mesmo que o vendedor ache que a relação é ótima. Essas faixas são uma referência prática da minha experiência, e cada segmento tem a sua realidade.

Cada papel pede uma conversa diferente. Com quem você já é principal, o trabalho é proteger a posição e ampliar o mix. Com quem você divide, o trabalho é descobrir por que o outro fornecedor ainda está lá. Com quem você é emergência, o trabalho é mostrar que dá conta do pedido programado.

Mix Vendido e Mix Possível

A distância entre os dois é o caminho mais rápido para ganhar participação e aumentar o mix de produtos dos clientes atuais. A metalúrgica do exemplo compra da distribuidora disco de corte e lixa. Também consome luva, óculos, protetor auricular, lubrificante e ferramenta manual. Tudo isso está no catálogo da distribuidora. Nada disso é comprado dela.

O vendedor quase sempre sabe que o cliente usa esses produtos. O que falta é o hábito de perguntar, linha por linha, de quem ele compra o restante. Uma pergunta simples resolve boa parte do problema: “O que você compra hoje de outro fornecedor que eu poderia cotar para você?”

Na minha experiência, essa pergunta feita com regularidade traz mais faturamento novo do que muita campanha de prospecção. O cliente já confia. A logística já existe. O cadastro e o crédito já estão aprovados. O custo de vender mais uma linha para um cliente atual é uma fração do custo de abrir um cliente novo.

Depois de Calcular o Share of Wallet: Cruze com a Curva ABC

A curva ABC mostra quem compra mais de você hoje. Sozinha, ela pode enganar. Um cliente A com participação baixa é muito diferente de um cliente A com participação alta. Cruzar os dois números organiza a prioridade da equipe.

PerfilCurva ABCParticipaçãoPrioridade
Grande e fielA ou BAltaProteger a posição e ampliar o mix
Grande e divididoA ou BBaixaMaior oportunidade da carteira
Pequeno e fielCAltaAtendimento eficiente, com pouco tempo do vendedor
Pequeno e divididoCBaixaAvaliar o potencial antes de investir esforço

O quadrante que mais rende é o grande e dividido. São clientes que já compram bastante de você e gastam ainda mais com o concorrente. A equipe atende esse cliente toda semana, conhece o comprador e tem acesso à fábrica. Só falta pedir a parte que hoje vai para o outro.

Por experiência, estimo que em boa parte das revendas que atendo, a participação nos clientes A e B fica abaixo da metade do potencial. É uma estimativa da minha prática de mentoria, sem base em pesquisa externa. Mas ela se repete com frequência suficiente para justificar a conta em qualquer empresa.

Como Ganhar Share of Wallet Sem Dar Desconto

A reação automática de muita equipe é baixar o preço para tirar o volume do concorrente. Funciona por um mês. Depois o concorrente baixa também, a margem some e o cliente aprende que basta pedir desconto. Existem caminhos melhores.

Comece pela linha mais fácil. Escolha uma única linha que o cliente compra de outro fornecedor e que a sua empresa entrega bem. Peça para cotar só essa. Pedido pequeno, risco baixo para o comprador, chance alta de aceitar.

Resolva um problema que o outro fornecedor não resolve. Entrega programada. Estoque reservado para os itens críticos. Visita técnica para resolver o desgaste precoce de um disco de corte. O comprador industrial troca de fornecedor por conveniência e confiança com mais frequência do que por R$ 0,30 no preço unitário. Uma análise do Gallup sobre clientes B2B mostrou que clientes totalmente engajados geram um prêmio de 23% sobre os clientes médios em share of wallet, rentabilidade, receita e crescimento da relação.

Fale com mais de uma pessoa dentro do cliente. O comprador decide o pedido. O supervisor de produção sabe o que falta. O técnico de segurança define o EPI. Vendedor que conversa só com o comprador enxerga só uma parte do potencial.

Coloque a participação na meta. Se a meta do vendedor é só faturamento total, ele vai buscar volume onde for mais fácil. Uma meta de participação nos clientes A e B, revisada todo mês, direciona o esforço para onde está o maior ganho.

Como o CRM Ajuda a Calcular o Share of Wallet da Carteira

Calcular o share of wallet de um cliente na planilha é possível. Acompanhar isso para 200 clientes, mês a mês, por vendedor, não é.

O Clientar CRM foi desenvolvido no Brasil para revendas, distribuidoras e indústrias que vivem de carteira e recompra. Com campos personalizáveis, o potencial estimado de cada cliente fica registrado ao lado do histórico de compras e da curva ABC de clientes e produtos. A integração com o ERP traz o faturamento real sem digitação, e o gestor enxerga quais clientes têm maior distância entre o que compram e o que poderiam comprar.

O histórico de contatos completa o quadro. Quando o vendedor registra que perguntou sobre a linha de EPI e o cliente disse que compra de outro fornecedor por causa do prazo de entrega, essa informação vira estratégia. Na próxima reunião, o gestor sabe exatamente qual problema resolver para ganhar aquela linha.

A ferramenta organiza a informação. O crescimento vem do processo: estimar o potencial, perguntar com regularidade, priorizar os clientes grandes e divididos e acompanhar toda semana. Essa é a combinação de software, processo e acompanhamento que aplico no Método Clientar.

Resumo Executivo

A participação na carteira do cliente mostra quanto do gasto dele, nas linhas que você vende, fica com a sua empresa. Ela revela a oportunidade que a curva ABC e o faturamento escondem.

O cálculo divide o faturamento com o cliente pelo potencial de compra dele. O potencial pode ser estimado perguntando ao comprador, usando indicadores de porte e comparando com clientes parecidos. Uma ordem de grandeza já é suficiente para decidir prioridades.

Cruze a participação com a curva ABC. Os clientes grandes e divididos são a maior oportunidade da carteira. Para ganhar espaço sem desconto, comece por uma linha, resolva um problema que o concorrente não resolve, fale com mais de uma pessoa no cliente e coloque a participação na meta do vendedor.

Perguntas Frequentes Sobre Como Calcular o Share of Wallet

O que é share of wallet?

É o percentual do gasto total de um cliente em uma categoria de produtos que é comprado da sua empresa. Em uma revenda B2B, mostra quanto do orçamento do cliente fica com você e quanto vai para os concorrentes.

Como calcular o share of wallet de um cliente?

Divida o faturamento da sua empresa com o cliente pelo potencial de compra dele nas linhas que você vende e multiplique por 100. Exemplo: um cliente que compra R$ 8 mil por mês de você e tem potencial de R$ 30 mil tem participação de cerca de 27%.

Qual a diferença entre share of wallet e market share?

Market share mede a participação da empresa no mercado inteiro. Share of wallet mede a participação dentro de cada cliente. Para o gestor comercial de uma revenda, o segundo é mais útil, porque orienta a ação cliente por cliente.

Como descobrir quanto o cliente compra do concorrente para calcular o share of wallet?

Perguntando diretamente ao comprador. Usando indicadores de porte, como número de funcionários, máquinas ou frota. E comparando com clientes parecidos da sua carteira. A combinação das três fontes gera uma estimativa confiável.

Qual é uma boa participação no orçamento do cliente?

Depende do segmento e da estratégia de compras do cliente. Como referência prática, acima de 60% a 70% a empresa tende a ser o fornecedor principal. Abaixo de 30%, costuma ocupar papel secundário ou de emergência.

Como aumentar o share of wallet sem dar desconto?

Cotando uma linha de cada vez, resolvendo problemas de entrega e estoque que o concorrente não resolve, conversando com mais de uma pessoa dentro do cliente e incluindo a participação na meta do vendedor.

O CRM ajuda a calcular o share of wallet?

Sim. Um software de CRM para revendas, como o Clientar CRM, registra o potencial estimado em campo personalizado e mostra esse número ao lado do histórico de compras e da curva ABC. Com a integração com o ERP, o faturamento real entra automaticamente.

Vale mais a pena aumentar a participação ou conquistar clientes novos?

Os dois são necessários. Ganhar espaço em um cliente atual costuma ser mais rápido e mais barato, porque cadastro, crédito, logística e confiança já existem. Por isso, o melhor ponto de partida é quase sempre a carteira atual.

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